Com novos critérios, esporte olímpico brasileiro tenta se reinventar

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) apresentou novos critérios para a distribuição do dinheiro da Lei Agnelo/Piva às confederações em 2018. É a principal fonte de recurso do esporte olímpico brasileiro. A estimativa de arrecadação é de R$ 225 milhões, 7,1% a mais do que em 2017.

Para 2018, todas as confederações de esportes olímpicos de verão terão assegurados um mesmo piso, de 50% do total do orçamento, além do valor correspondente aos critérios por meritocracia.

“No ano passado, aplicamos dez critérios para a distribuição de verbas para as confederações em 2017. Neste ano, fizemos um novo estudo dos critérios, considerando as características próprias de cada confederação”, explicou Adriana Behar, gerente geral de Planejamento e Relacionamento com as Confederações do COB.

Os Jogos Olímpicos continuam valendo como parâmetro para cinco entre os 11 critérios de pontuação. A competição de maior peso será o último Mundial Adulto. O Comitê ainda avaliou as confederações pelo incentivo ao desenvolvimento de jovens, por meio de mundiais da categoria sub-21, e pela eficiência na prestação de contas.

Confira os critérios:

  • Ser medalhista na última edição de Jogos Olímpicos (com pontuações diferenciadas para ouro, prata e bronze)
  • Ser multimedalhista na última edição dos Jogos Olímpicos (com pontuações diferenciadas para duas, três, quatro ou mais medalhas)
  • Ser medalhista na penúltima edição dos Jogos Olímpicos (com pontuações diferenciadas para ouro, prata e bronze)
  • Ser Top 8 nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos (com pontuações diferenciadas para Top 8 nas duas últimas edições, só na última ou só na penúltima)
  • Número de eventos (ou provas olímpicas) com participação brasileira na última edição dos Jogos Olímpicos (diferencia confederações com participação em até 6 eventos, entre 7 e 22 eventos e em 23 ou mais eventos)
  • Ser medalhista no último Mundial Adulto (apenas em provas olímpicas, e com pontuações diferenciadas para ouro, prata e bronze)
  • Ser Top 8 em Mundial Adulto nos últimos quatro anos (apenas em provas olímpicas)
  • Ser medalhista no último Mundial sub-21 (ou de idade imediatamente inferior, caso não exista, e apenas em provas olímpicas. Pontuações diferenciadas para ouro, prata e bronze)
  • Ser Top 8 no último Mundial sub-21 (ou de idade imediatamente inferior, caso não exista, e apenas em provas olímpicas)
  • Ser medalhista na última edição dos Jogos Pan-Americanos
  • Prestação de contas pela confederação (Obs: o mais importante na minha visão).
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Sem apoio privado, esporte segue dependente de dinheiro público

Em momento de crise financeira, o esporte deixa de ser prioridade. É assim em todos os países do mundo. Na Terra de Santa Cruz não é diferente. O esporte é totalmente dependente de dinheiro público no Brasil. O principal recurso vem das loterias federais.

A iniciativa privada nunca abraçou o esporte brasileiro. Os patrocínios aparecem sempre às vésperas das grandes competições. Eles aproveitam a visibilidade e depois encerram os contratos no ano pós-Jogos Olímpicos. É um dinheiro que não dá para contar.

As entidades esportivas vivem um momento delicado. Elas precisam recuperar a credibilidade e provar a capacidade administrativa. Por isso que a divulgação dos critérios de divisão dos recursos das loterias para as confederações, na próxima terça-feira (31.10), é esperada ansiosamente pela comunidade esportiva. Os recursos das loterias são garantidos por meio da Lei Agnelo/Piva.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) aprimorou os critérios para divisão do dinheiro das loterias federais. A receita é a única fonte de recursos para a maioria das confederações olímpicas. Quanto mais criterioso o COB for, mais as entidades irão reclamar.

Em 2017, o comitê levou em consideração dez critérios para a distribuição de verbas para as confederações. Para 2018, a entidade fez um novo estudo dos critérios. Eles levaram em consideração os pilares do mapa estratégico do COB: de melhorar os resultados esportivos, a maturidade em gestão administrativa e a imagem do esporte olímpico brasileiro.

“O mais importante desse processo é a gente abrir para que as pessoas saibam como foi feito, qual a base utilizada para chegar a esses critérios. É uma base matemática, estudada, com critérios técnicos, estatísticas, com valores e pesos para cada um”, explicou o ex-atleta olímpico e diretor executivo de Esportes do COB, Agberto Guimarães, durante visita a Brasília nesta semana.

A realidade é que a maioria das confederações não são atrativas aos patrocinadores. Muitos esportes têm pouco apelo midiático. A Folha de São Paulo adiantou que os resultados dos Jogos Pan-Americanos não serão levados em consideração nos novos critérios. Por outro lado, a administração das entidades deve ter um peso maior na divisão nos próximos anos.

O novo presidente do COB, Paulo Wanderley, quer mostrar a sua identidade na nova gestão, que vai até 2020. Depois de divulgar os novos critérios, o comitê deve realizar reuniões para aprovação do plano de trabalho de 2018 com cada confederação. O COB precisa passar a imagem de transparência. O dinheiro das loterias é cada vez mais essencial para o esporte brasileiro.

Mobilização pelo esporte brasileiro

O esporte está em segundo plano. Após dez anos no holofote, o esporte de alto rendimento não chama mais atenção da população, dos jornalistas e até dos políticos. O momento econômico e político delicado que o país vive contribui para o cenário.

A Comissão do Esporte na Câmara dos Deputados, em Brasília, promoveu nesta terça-feira (17.10) uma audiência pública para debater possíveis cortes no orçamento do esporte. Somente dois parlamentares passaram pela comissão, não assistiram o debate, e nenhum jornalista esteve presente. O que mostra o interesse geral pelo tema.

Na audiência, transmitida ao vivo pela internet, atletas, ex-atletas e dirigentes esportivos defenderam a mobilização do Congresso Nacional para garantir recursos ao esporte. O deputado federal Afonso Hamm se mostrou preocupado com a possível redução do orçamento do Ministério do Esporte, prevista na proposta inicial enviada pelo governo.

“Trouxe uma preocupação para atletas, clubes e para nós na Comissão do Esporte da Câmara. Apesar de todas as dificuldades por que o país passa, ainda dá tempo de reverter a situação, pois a peça orçamentária está aqui na Casa. Estamos trabalhando para reforçar a necessidade de manter os investimentos no esporte”, revelou o deputado.

Atletas e ex-atletas estão preparando uma mobilização junto ao Congresso para assegurar que o orçamento para o próximo ano não seja reduzido.

O secretário de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Rogério Sampaio, informou ainda que o governo federal vai criar um grupo de trabalho para estudar o aprimoramento do programa Bolsa Atleta. A bolsa é atualmente o principal incentivo direto aos atletas brasileiros. “O objetivo é fazer com que o programa, tão importante para o esporte brasileiro, seja aprimorado e continue atingindo seus objetivos na formação de atletas e na obtenção de resultados internacionais”, disse Rogério Sampaio.

Durante o debate, representantes da comunidade esportiva defenderam a manutenção dos investimentos. Yane Marques, vice-presidente da Comissão de Atletas do COB, disse que o programa foi um divisor de águas na carreira de muitos atletas.

“O esportista tem uma vida profissional curta. Ele precisa investir na carreira, ajudar a família e ainda juntar dinheiro para a transição quando se aposentar. A redução dos recursos seria um retrocesso. É quase voltar ao tempo em que o atleta tinha que trabalhar e treinar. Você tira o caráter profissional. Agradeço por ter recebido a Bolsa Atleta e espero que outros competidores continuem recebendo esse investimento”, declarou Yane, que vive momento de transição na carreira, depois de 20 anos defendendo o país.

Para o presidente do CPB, Mizael Conrado, o Bolsa Atleta tem sido fundamental para o crescimento do movimento paralímpico brasileiro. “A ferramenta é importante, principalmente para a manutenção de modalidades sem visibilidade. Os atletas passaram a ter o esporte como a principal atividade profissional. Isso contribuiu para uma grande evolução internacional”.

O diretor executivo de Esportes do COB, Agberto Guimarães, avaliou que, para dar um salto de qualidade no cenário mundial, o país precisa manter a soma de todos os esforços de investimento: “Entendemos a importância da Bolsa Atleta e da Bolsa Pódio. As confederações têm demonstrado evolução na governança e na organização, mas sem esse apoio fica difícil levar nossos atletas para as competições em que o Brasil precisa ser representado”.

Robert Scheidt anuncia aposentadoria olímpica

O velejador Robert Scheidt é o maior atleta olímpico da história do Brasil. São cinco pódios no maior evento do mundo: dois ouros, duas pratas e um bronze. Scheidt anunciou, neste domingo (15), a aposentadoria dos Jogos Olímpicos. Porém, vai seguir na vela. Dizem que não existe ex-velejador.

Ele não vai defender o Time Brasil nos Jogos de Tóquio. Em 2020, ele terá 47 anos. Seria a sua sétima participação olímpica. Em entrevista ao Esporte Espetacular, na Globo, ele falou. “O que me levou a vela quando garoto foi a sensação de liberdade usando a força do vento e vou continuar fazendo. A vida sem a vela não faz sentido”.

Scheidt conquistou a medalha de ouro em Atlanta (1996) e Atenas (2004). As pratas foram conquistadas em Sidney (2000) e Pequim (2008). Em Londres 2012, ele levou o bronze. O velejador terminou os Jogos Rio 2016 em quarto lugar, ficando pela primeira vez fora de um pódio olímpico. Na carreira, ele acumulou 11 títulos mundiais na classe laser e três na star.

O também velejador Torben Grael é o segundo maior medalhista olímpico do Brasil. O paulista conquistou cinco pódios, sendo dois ouros, uma prata e dois bronzes. Isaquias Queiroz é o único atleta brasileiro que pode igualar os feitos de Scheidt. O baiano vai disputar duas provas em 2020, podendo chegar a seis medalhas olímpicas na carreira. No Rio, na sua estreia olímpica, Isaquias levou duas pratas e um bronze.

Considero Robert Scheidt uma vítima das mudanças do Comitê Olímpico Internacional (COI) no programa dos Jogos Olímpicos. Começou na classe laser, passou pela star e encerrou a carreira olímpica na 49er.

Os e-Sports não precisam dos Jogos Olímpicos

E-Sports

Três anos depois de receber os melhores atletas do mundo durante os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, o Estádio Olímpico da capital britânica abriu suas portas no Queen Elizabeth Olympic Park para acolher um evento inimaginável para os idealizados do projeto ainda em 2008, quando a estrutura do equipamento começou a ser construída.

O estádio, que foi palco da glória de Usain Bolt nos Jogos Olímpicos, agora foi ocupado por cerca de 70 mil jovens que foram torcer para uma nova geração de atletas que vem revolucionando de forma silenciosa o mundo dos esportes eletrônicos, conhecidos mundialmente por e-Sports.

Nada de esforço físico, raquete ou bola. No e-Sports, o joystick, o teclado e o mouse são os equipamentos esportivos utilizados pelos atletas. A cada ano aumenta a pressão para a inclusão do mundo digital para dentro do movimento olímpico, mesmo contra a opinião dos fãs tradicionais do maior evento multiesportivo do mundo.

Os críticos da possível inclusão dos e-Sports no movimento olímpico tentam, primeiramente, não enquadrar a atividade como esporte. Existe uma falta de consenso na definição do que é ou não uma modalidade esportiva. Assim, no senso comum é normal ver pessoas falando que jogador de e-Sports não é considerado um atleta.

O site especialista em Jogos Olímpicos Insidethegames.biz fez uma enquete perguntando aos leitores se eles consideravam os games um esporte. A maioria das pessoas opinou que os esportes eletrônicos não deveriam ser classificados como um esporte.

Foram 85.71% dos votos contra. Pesquisa foi realizada em maio de 2017. Apenas 14,29% discordaram e apoiaram seu status de esportivo. Claro, são opiniões de leitores de um portal, mas que expressa a visão de pessoas que não estão envolvidas diretamente nas duas indústrias.

Muitas pessoas consideram que uma atividade esportiva tem que está ligada diretamente ao esforço físico, movimentar o corpo. Pois, um dos princípios do movimento olímpico é combater o sedentarismo da população.

Na opinião do jornalista Guilherme Costa, especialista em esportes olímpicos, as disputas de videogames não deixam dúvidas: são esportes.

“Acho que podem ser considerados sim esporte, pois existem competições, jogadores de vários países. É um negócio que está muito organizado, está sendo transmitido pela internet e pela televisão. Então, como competição, pode ser considerada esporte. O esporte não precisa ser necessariamente algo físico, tanto que existem outras modalidades que não exigem nada de físico, até mesmo nas olimpíadas, como tiro esportivo”, disse.


Os Jogos Olímpicos contam com 47 modalidades esportivas diferentes. Incluir e tirar esportes do calendário de provas é normal, pois é uma tendência para sempre agradar o público e as federações esportivas internacionais.

Os e-Sports são uma indústria consolidada que movimenta milhões de dólares, principalmente na Europa e Ásia. O primeiro movimento para inclusão da atividade em eventos tradicionais foi anunciado pelos organizadores dos Jogos Asiáticos, que incluíram na edição do evento de 2022 que será disputada em Hangzhou, na China. Não foram anunciados os games que entrarão na disputa, como Counter-Strike, League of Legends (LoL), Dota ou Fifa.

Publicamente, a posição oficial do Comitê Olímpico Internacional (COI) é de cautela. O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, disse que considera a possibilidade de incluir os jogos eletrônicos, mas somente jogos que não sejam violentos, o que pode gerar um problema no caminho da inclusão dos e-Sports nos Jogos Olímpicos.

A intenção do COI é tentar se aproximar da geração do novo milênio por meio dos jogos eletrônicos. Porém, os principais games estão relacionados à algum tipo de violência. League of Legends, Smite, CS:GO e Call of Duty são exemplos.

O comitê olímpico dá preferência a games que refletem a vida real, como os de futebol ou basquete. Uma mera adaptação dos esportes off-lines para o mundo dos games não significa a melhor escolha para os jovens.

“Queremos promover a não discriminação, a não violência e a paz entre os povos, algo que não corresponde com os jogos de videogame em que há violência, explosões e mortes. É preciso traçar um limite claro”, declarou Bach em entrevista à imprensa chinesa.

O que é violência para o COI?

A maioria dos games envolvem alguma forma de violência. O jogo Rocket League, por exemplo, é basicamente apenas carros voando. Como ele se enquadraria na visão do COI? Os carros podem bater e explodir, isso será avaliado como violento? O comitê não foi claro nas suas observações sobre os e-sports.

Entretanto, os Jogos Olímpicos contam com esportes “violentos”, como as artes marciais e provas de tiro.

Outra preocupação é o controle de dopagem. O COI espera um padrão quanto a luta a favor do jogo limpo, regulamentos técnicos dos games e deveres dos competidores frente aos adversários. Muitos jogadores utilizam medicamentos que melhoram a concentração, que influencia o desempenho esportivo.

Além disso, os jogos são projetados também em diferentes plataformas, qual seria escolhida: Playstation, XBox, Computador?

Existe uma grande indústria de e-Sports que movimenta milhões de dólares no mundo. A ideia do COI é beliscar uma fatia desse bolo, além de envolver o público jovem ao movimento olímpico.

Crise nos Jogos Olímpicos

Ter uma base grande de fã jovens e altamente envolvida é crucial para garantir um futuro para os Jogos Olímpicos. Caso contrário, o evento centenário não sobreviverá mais cem anos, pois a transformação está sendo rápida. Não sei ao certo se o melhor caminho são os e-Sports.

O alto envolvimento dos fãs é importante para ampliar e fidelizar os patrocinadores e anunciantes. Os Jogos Olímpicos estão de olho basicamente na base de fãs dos e-Sports. Os admiradores de esportes digitais são jovens e mais comprometidos.

Eles estão se afastando do jornal impresso, do rádio e da TV e se mudando cada vez mais rápido para a internet e para o celular.

Uma mesma equipe de e-sports apresenta uma versatilidade que não encontramos nos esportes tradicionais. Atletas que jogam futebol não têm habilidade para disputar as partidas de basquete, handebol ou vôlei. Nos jogos eletrônicos são diferentes, encontramos jogadores com habilidade para disputar diferentes games.

“Os próprios e-Sports não estão convencidos em entrar nas olimpíadas. Por exemplo, temos esportes que estão loucos para entrar nas olimpíadas há muito tempo, como o karatê, que entrou agora, o squash que luta muito tempo para entrar. Já os esportes eletrônicos estão crescendo muito e não fazem a mínima questão da Olimpíada. A Olimpíada precisa mais do e-Sports do que o e-Sports precisam na Olimpíada”, completou o jornalista Guilherme Costa.

Ainda não existe uma federação internacional com autoridade para gerir todo o e-Sport.

No mês de março vazou um e-mail do presidente da Solipsist Sports, Seymour Y. Telefantz que desenvolve games. No e-mail, enviado para o presidente do COI, o executivo escreveu sobre a falta de atrativo em muitos esportes olímpicos. “Aqui, no Solipsistic Sports, estamos confiantes de que podemos criar uma série de jogos que dariam ao seu antigo movimento uma nova vida”, escreveu.

Será que os e-Sports precisam mesmo dos Jogos Olímpicos?

A resposta é não. Os e-Sports estão muito bem. Eles têm muito mais apelo do que a maioria das 47 modalidades que fazem parte dos Jogos Olímpicos.

Com o poder de atração da nova geração, com os eventos que arrastam milhões de pessoas nos eventos e online, o maior interesse é do comitê olímpico internacional. O que mostra que existe um grande interesse por trás das notícias que tentam cavar um lugar dos games no maior evento multiesportivo do mundo.

Encontrei somente debates vazios sobre a inclusão dos games nas Olimpíadas. Quem entende de Jogos Olímpicos não consegue identificar a avalanche que está se formando. Por outro lado, os players não sabe o tamanho e impacto de se aproximar de uma organização mundial do tamanho do COI.

Com o tempo veremos que os e-sports que irão ditar as regras, pois o COI vão precisar mais deles do que ao contrário.

“Nas Olimpíadas eles serão só mais um. Durante 15 dias o mundo inteiro vai dividir o olhar entre 30 modalidades, eles serão mais um. Na minha avaliação é ruim para eles entrarem na olimpíada, porque não terão um mínimo de atenção dentro os Jogos. Para eles nem vale a pena, eles já tem todo o público deles, que gosta e acompanha as principais competições”, explicou Guilherme Costa.

A possível crise financeira no COI pode fazer com que o comitê tem que pensar em diferentes fontes de receitas. Os Jogos Olímpicos são sustentados principalmente pelos direitos de TV, que estão com os dias contatos. Ainda a entidade tem que ligar com a posição dos países que colocaram em cheque os altos custos dos Jogos Olímpicos.

O jornalista sugere ainda que os jogadores se organizem para promoverem a sua própria Olimpíadas de jogos eletrônicos, que seria mais atrativo para o público amante de games. “Deixem eles fazerem as olimpíadas deles, fazerem os Jogos dos Esportes Eletrônicos, mas não dentro da Olimpíada, até porque os próprios jogadores não ligam para a Olimpíada. Se entrar nas Olimpíadas, eles vão preferir ser campeões mundiais do que campeão olímpico. O exemplo é o golf, que entrou nos Jogos Olímpicos e os jogadores preferem ganhar o título mundial do que o olímpico”, explicou.


Entenda o e-Sports

Dentro dos e-Sports existem diferentes gêneros (modalidades esportivas tradicionais) que podem classificar os jogos competitivos:

  • Shooters (Halo, Counter Strike, Call of Duty, etc.)
  • Fighting (Street Fighter, Tekken, Super Smash Bros, etc.)
  • Estratégia em tempo real (StarCraft, WarCraft, Command & Conquer, etc.)
  • Multiplayer Online Battle Arena — MOBA (League of Legends, Dota, Smite, etc.)

Shooters e MOBA estão fortemente focados no trabalho em equipe e na coordenação da equipe. Em contrapartida, a estratégia em tempo real e os jogos de luta são tipicamente indivíduos que competem uns contra os outros.

Cada um desses gêneros de eSports é incrivelmente grande; no entanto, MOBA e Shooters estão realmente liderando a carga atualmente. Especificamente, Counter Strike: Global Offensive, Dota 2 e League of Legends.

Entre os benefícios dos jogos eletrônicos, os jogadores profissionais geralmente transmitem e interagem com seus espectadores pessoalmente. Imagine ser capaz de assistir e interagir com o Neymar ou LeBron James enquanto eles disputam as partidas.

Para um criança e adolescente, tornar-se um jogador profissional de eSports parece muito mais alcançável para a maioria do que se tornar um atleta profissional do atletismo ou da natação.

Os games são acima de tudo uma comunidade. Todo site de streaming tem um chat ao vivo onde você pode conversar com outros fãs e o streamer. Na verdade, todos estão de olho mesmo nesta comunidade fiel de jovens engajados e com muito dinheiro para consumir produtos.

Mudanças no boxe olímpico

Artigo publicado originalmente na coluna semanal no Jornal de Brasília 

O boxe já viveu momentos melhores. Os grandes combates tinham o poder de chamar a atenção do mundo. O esporte perdeu o glamour com o tempo. Muito por culpa dos diferentes “donos” que o esporte possui. Sempre existiu dois tipos de pugilistas: o profissional, dos grandes lutadores como Michael Taison, e o amador, dos atletas que disputam os Jogos Olímpicos. A separação sempre foi confusa.

Agora, parece que o jogo virou. A AIBA (Associação Internacional de Boxe) agiu para tornar o esporte mais atrativo, ao menos nas olimpíadas. A entidade anunciou na última semana que os capacetes, utilizados pelos pugilistas nos Jogos Olímpicos, serão abolidos nos combates masculinos já no Rio de Janeiro, daqui a cinco meses. Isso não acontece desde a edição dos Jogos de Los Angeles, em 1984. A AIBA garantiu que realizou estudos que comprovam que a segurança dos atletas não corre risco, apontando que o número de cortes caiu com a abolição dos capacetes.

A outra novidade é mais impactante. Os boxeadores profissionais poderão subir ao ringue olímpico. As mudanças têm o objetivo de tornar o boxe mais atrativo para o grande público. Segundo o presidente da AIBA, Ching-Kuo Wu, a permissão de profissionais no ringue olímpico será votada no mês de junho. Depois, todos os profissionais que desejam competir no Rio 2016 poderão disputar o pré-olímpico mundial, em Baku, no Azerbaijão.

As medidas geraram polêmicas. A ala mais conservadora do esporte se posicionou contra as mudanças. O jornalista Eduardo Ohata, do UOL, entrevistou o americano George Foreman, ex-campeão mundial e ex-campeão olímpico, sobre as novidades. Ele não poupou críticas as mudanças. “Os Jogos Olímpicos têm a ver com honra, não com dinheiro. Profissionalismo quer dizer ‘por dinheiro’. Quando fui campeão olímpico, lutei pela honra, não por dólares ou centavos. Ao abrir [a Olimpíada] para profissionais, tudo passa a ser em função do dinheiro”, disse Foreman ao jornalista brasileiro.

Convenhamos, atualmente é difícil encontrar um pugilista olímpico amador. A palavra amador não cabe mais para se referir aos atletas que disputam as modalidades olímpicas. A competitividade é alta e a dedicação é cada vez mais intensa e integral da parte dos atletas. Se não for assim, pugilista não terá chance alguma nos combates.

A permissão de profissionais não vai alterar a delegação brasileira nas olimpíadas. A lista de pugilistas nacionais está praticamente fechada. A Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) definiu os nomes das seis vagas que o país tem direito. Adriana Araújo na categoria leve, Patrick Lourenço no mosca ligeiro, Julião Neto no mosca, Robenilson Jesus no galo, Joedison Chocolate no meio-médio ligeiro, Michel Borges no meio-pesado e o Robson Conceição no leve.

O único pugilista profissional que terá oportunidade na delegação brasileira será o Esquiva Falcão, nos meios médios. Ele foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Londres. Se der certo, será um grande reforço. O titular era o Myke Carvalho, que caminhava para a quinta olimpíada, mas quebrou o osso do antebraço no último mês. Toda mudança que busca evolução tem que ser bem aceita. Esperamos.

X-Games Brasil, uma ótima recordação

X Games Brasil 2013

O Facebook me lembrou que há três anos eu vivi uma das experiências mais legais da minha carreira profissional. Em 2013, cobri a única edição brasileira dos X-Games, que foi disputada em Foz do Iguaçu. Falo do evento completo, com tudo que temos direito, igualzinho a dos EUA.

Foram quatro dias de evento, de 18 a 21 de abril. A ESPN, dona da marca global dos X-Games, montou uma mega estrutura em frente ao Centro de Convenções da cidade. Todos os equipamentos foram levados pelos gringos.

Por si só a competição é diferenciada. Os Jogos Olímpicos dos Esportes Radiciais contam com shows de bandas de rock depois  de cada dia de evento. O clima é muito diferente, descontraído.

Eu vi, por exemplo, os atletas circulando no meio do público depois das provas. O clima descontraído segue também para a sala das coletivas de imprensa.  Como tive a oportunidade de trabalhar nas maiores competições esportivas de alto rendimento, os X-Games são, sem dúvidas, o evento mais legal.